Brasileiros redobraram cuidados no verão contra o câncer de pele

A campanha de dezembro da Orange, promovida pela Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), quer aliar-se ao atendimento de pandemia de covid-19 para a prevenção do câncer de pele, com o tema “Adicionar fator mais protetor ao seu verão”.

De acordo com o coordenador do Departamento de Oncologia Cutérica do SBD e da Campanha de Dezembro de Orange 2021, Renato Bakos, o país vive ainda este período difícil de pandemia, com muitos cuidados para manter a saúde. Acrescentou que, “com a proximidade do verão, é natural que as pessoas queiram se expor um pouco mais a um lazer, ao meio ambiente, e possam estar sujeitas a riscos, como a queimadura solar e por isso devem se proteger também contra o câncer de pele”.

A campanha recomenda que, além do uso de álcool em gel, máscaras e respeito ao distanciamento social, a população deve adotar hábitos de fotoproteção para garantir sua saúde em modo pleno. A queda nos indicadores de morbidade e mortalidade relacionados ao covid-19 abre a expectativa de que as praias e os espaços abertos voltem a ser ocupados, durante o verão, com mais intensidade. Bakos afirmou que, atualmente, há uma conscientização cada vez maior por parte da população. ” Percebemos que as pessoas têm essa preocupação de olhar para evitar grandes exposições ultravioleta, seja escolhendo o tempo adequado para estar ao sol, usando chapéus, camisetas, protetor solar, procurando sombras em momentos de sol muito intensos. Todas essas são recomendações muito válidas “.

O coordenador da campanha, dezembro, lembrou que o câncer de pele tem tipos diferentes e que, em caso de aparecimento de sinais e sintomas suspeitos, o médico dermatologista deve ser consultado para fazer o diagnóstico mais cedo. O tipo de câncer de pele que requer mais atenção é o melanoma, que se caracteriza por ser um ponto escuro que cresce assimetricamente, com bordas irregulares, cor-variando em tons de marrom e preto e que, muitas vezes, atingirá diâmetro maior que seis milímetros. ” Sinais como esses são de muito alerta para que as pessoas busquem atendimento (médico). Ou, por exemplo, quando eles têm feridas que não cicatram, lesões que ficam sangrando, verrugões crescentes. Tudo isso pode ser importante “.

De acordo com a SBD, a rotina do autoexame facilita o reconhecimento dos casos. Com o diagnóstico precoce, a resolução dos casos pode ser alcanada em sua maioria, assegurou o especialista. “Daí, a importância de fazer as revisões e estar sempre atento à presença de alguma lesão que pode ser suspeita”.

A exposição solar exagerada e desprotegida ao longo da vida, além dos episódios de queimaduras solares, são os principais fatores de risco do câncer de pele. Embora esse problema de saúde possa afetar qualquer pessoa, há grupos mais propensos a emergir desse tipo de câncer. Ali estão incluídas pessoas de pele clara, cabelos e olhos, indivíduos com histórico familiar da doença, portadores de tintas múltiplas pelo corpo e imunosupprimidos ou pacientes transplantados.

Renato Bakos relatou que a distribuição de casos de câncer de pele ocorre em todo o país, embora áreas com maior população apresentem, em números absolutos, incidência também maior. “Mas é um problema que encontramos em áreas diferentes”. De acordo com o Painel de Oncologia do Ministério da Saúde, o Brasil registrou em torno de 205.181 diagnósticos de câncer de pele entre 2013 e 2021. Na verdade, o número pode estar bem em excesso disso, se for considerado subnotificação. Somente em maio de 2018, tornou-se obrigatório o registro do cartão nacional de saúde e da CID-10 (Portaria SAS nº 643), o que provocou um aumento expressivo no número de registros da doença. O painel foi criado também naquele ano.

Os números registrados pela plataforma mostram que, entre 2013 e 2017, a proporção de novos diagnósticos de câncer de pele foi de aproximadamente 4 a cada ano. Com o aprimoramento da ferramenta e dos fluxos de informação, esse número saltou significativamente. Entre 2018 e julho de 2021, o total de diagnósticos de câncer de pele registrados chegou a 184.095, ou seja, cerca de 46 por ano.

Os estados que mais somaram casos de câncer de pele, entre 2013 e 2021, foram São Paulo, com 52.876, Paraná (27.204), Rio Grande do Sul (27.056), Minas Gerais (22.668) e Santa Catarina (16.975). O painel revela que a região com maior percentual em relação ao número total de matrículas foi o Sudeste, com 42% dos casos do país. Enquanto o Sul tem três estados no ranking das cinco unidades da Federação que mais concentraram casos de câncer de pele no país no período citado, com 34,7% do total nacional, a Região Norte é a que menos contabilou no período analysed-2.7%. O Nordeste respondeu por 14,2% do total de casos em todo o país e no Centro-Oeste, por 6,3%.

De 2013 a 2013 a, a doença gerou 374 internações na rede pública de saúde do Brasil e foi a causa da morte de quase 32 pessoas, segundo dados do Sistema Único de Informações Hospitalar do Sistema Único de Saúde (SUS). São Paulo foi o estado que registrou o maior volume de internações no período (96.870), sendo responsável por 26% do total, seguido pelo Paraná (57.417) e pelo Rio Grande do Sul (38.593). No período analisado, as unidades da Federação com registros menores desse tipo foram Roraima (194), Acre (162), e Amapá (150).

A Sociedade Brasileira de Dermatologia esclareceu que o câncer de pele é desencadeado pelo crescimento anormal das células que compõem a pele. Esse é o tipo mais comum de câncer no Brasil, informa o Instituto Nacional do Câncer José Alencar Gomes Da Silva (Inca). Quando descoberto a princípio, ele tem mais de 90% de chance de cura. A doença corresponde a 27% de todos os tumores malignos no país, sendo os carcinomas basocelulares e espinocelulares (não melanoma) responsáveis por cerca de 180 novos casos da doença por ano. Já o câncer de pele melanoma tem em torno de 8,5 novos casos por período. A incidência é maior do que cânceres de próstata, mama, cólon e reto, pulmão e estômago.

O carcinoma basocelular é o câncer de pele mais frequente na população, correspondendo a cerca de 70% dos casos. Manifesta-se por lesões altas peroladas, brilhantes ou escurecidas que crescem lentamente e sangram com facilidade. Por sua vez, o carcinoma espinocelular surge como o segundo tipo de câncer de pele de incidência maior no ser humano. Ela equivale a mais ou menos 20% dos casos da doença. Caracteriza-se por lesões verrucidas ou feridas que não cicatrizam após seis semanas. Eles podem causar dor e produzir sangramentos.

O melanoma, por sua vez, apesar de não ser o mais incidente, é o mais agressivo e potencialmente letal. Apesar de corresponder a apenas 10% dos casos, é o câncer de pele mais grave, pois quadros avançados podem desencadear metástases para outros órgãos do corpo humano e levar à morte. Este tipo é geralmente composto de pintas ou manchas escuras que crescem e mudam de cor e forma gradativamente. As lesões também podem vir acompanhadas de sangramento.

A campanha de dezembro de Orange é realizada desde 2014. Este ano, conta com a adesão voluntária dos atores Tony Ramos e Carmo Dalla Vecchia, os cantores Kelly Key e Karol Conká, da modelo Claúdia Liz e dos jornalistas Tom Borges e Eliane Cantanhede. Também aderiram à iniciativa instituições públicas e privadas, como o Congresso Nacional, a Federação das Indústrias de São Paulo, o Conselho Nacional de Justiça, o Conselho Federal de Medicina, os governos estaduais e as prefeituras municipais. 

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Fonte: www.noticiasaominuto.com.br/ultima-hora/1866012/brasileiros-devem-redobrar-cuidados-no-verao-contra-cancer-de-pele?utm_source=rss-lifestyle&utm_medium=rss&utm_campaign=rssfeed

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