Cerca de 3.000 médicos se voluntariaram para ajudar as vítimas das enchentes no Rio Grande do Sul

SAÚDE

Quase 3.000 médicos de diversas regiões do Brasil se inscreveram para atuar como voluntários no atendimento às vítimas das recentes chuvas no Rio Grande do Sul. A campanha, promovida pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) em parceria com os conselhos regionais, visa mitigar os impactos das enchentes que assolam o estado, trazendo consigo riscos de doenças como leptospirose, hepatite A e problemas respiratórios, além de superlotação nos hospitais e postos de saúde locais.

Até a última sexta-feira (17), 2.804 médicos haviam se registrado para a ação voluntária, com a maioria dos inscritos vindos de São Paulo (738), Minas Gerais (329) e do próprio Rio Grande do Sul (264). Predominantemente jovens, 1.498 têm até 35 anos e 1.600 (57%) são mulheres. Entre os voluntários, há profissionais capacitados para atendimentos básicos, especializados, em UTI, e até mesmo em medicina legal. Notavelmente, 59% dos médicos possuem experiência prévia em situações de calamidade pública.

Na sexta-feira, o presidente do CFM, José Hiran Gallo, entregou a lista dos médicos inscritos ao ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, e ao governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB). As autoridades serão responsáveis pela logística, incluindo deslocamento, hospedagem, alimentação e suporte operacional desses profissionais. Em termos de especialidades, mais de 150 são especialistas em cirurgia geral e 200 em clínica geral. Cerca de 26% dos médicos têm disponibilidade imediata para iniciar os trabalhos voluntários, e 28% podem começar dentro de uma semana.

Para facilitar a atuação dos médicos voluntários, o CFM emitiu uma circular dispensando a necessidade de visto temporário para médicos de fora do Rio Grande do Sul. Normalmente, esse visto é exigido para médicos que atuam por até 90 dias em um estado onde não possuem inscrição no CRM local. Agora, basta que os profissionais comuniquem sua atuação por e-mail ao conselho regional de origem. Além dessa iniciativa do CFM, o Ministério da Saúde começou a convocar voluntários para a Força Nacional do Sistema Único de Saúde (SUS), exigindo que os profissionais tenham vínculo público municipal, estadual ou federal e comprovem cinco anos de experiência em atendimento de emergência.

Desde o início da calamidade, o número de inscritos na Força Nacional do SUS subiu de 47 mil, em abril, para 68,4 mil na semana passada. A partir desta segunda-feira (20), novos voluntários da Força Nacional do SUS começarão a chegar ao estado, aumentando o número de profissionais na região de cem para 202. Este reforço permitirá que equipes volantes atuem simultaneamente em dez municípios prioritários. “Estamos falando de um grande número de profissionais que poderá socorrer as vítimas dessa tragédia nos próximos dias. É um grupo qualificado, jovem, disponível e com muita vontade de ajudar”, declarou Gallo.

Além do atendimento direto às vítimas, médicos de todo o Brasil se mobilizaram para arrecadar medicamentos e insumos de saúde. Entre as doações, foram enviados ao estado gaúcho 20 mil comprimidos de doxiciclina, usados na profilaxia da leptospirose, conforme relatado pelo oncologista pediátrico Claudio Galvão de Castro Júnior. “Centenas de médicos de todo o Brasil foram às farmácias e compramos esses comprimidos. Centralizamos no Hospital do Rim [em São Paulo] e conseguimos um voo voluntário para isso chegar ao destino final”, afirmou Castro Júnior.

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