CPI na reta final ouça ANS e empresa de logística com foco em contrato Prevent Senior e Saúde | Política Livre

Foto: Pedro Ladeira / Folhapress Os senadores Omar Aziz (PSD-AM), presidente da CPI do Covid, e Renan Calheiros (MDB-AL), relator da comissão 3 de outubro de 2021 | 19:56

CPI na reta final atende a ANS e empresa de logística com foco no contrato Prevent Senior and Health

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Em sua reta final, a CPI do Covid pretende colher nesta semana mais informações sobre as denúncias relacionadas ao operador Prevent Senior e um contrato de logística milionário do Ministério da Saúde durante a pandemia.

Para isso, a comissão ouve nesta terça-feira (5) o parceiro de VTCLog, Raimundo Nonato Brasil, e, nesta quarta-feira (6), o diretor-presidente de ANS (Agência Nacional de Saúde Suplemental), Paulo Roberto Rebello Filho.

Os senadores querem entender se houve omissão da agência em fiscalizar as atividades do Prevent. Há suspeitas de que a transportadora tenha pressionado os médicos e estimulado a prescrição, sem consentimento, de medicamentos do “kit Covid”, que não têm eficácia comprovada no tratamento da doença.

Já sobre a VTCLog, a comissão afirma se houve alguma irregularidade em contratos assinados com a Saúde, inclusive para a distribuição das vacinas contra o Covid-19, e pagamento de propina a membros do governo.

O presidente da CPI do Covid, senador Omar Aziz (PSD-AM), anunciou que a comissão deve ser encerrada no dia 20, com a votação do relatório de Renan Calheiros (MDB-AL).

” Sejam eles os últimos testemunhos, eu vou manter o esforço para que a CPI continue revelando fatos e acabe com a mesma vontade que começou. O Omar que dará a última palavra “, disse Renan à Folha neste domingo (3).

A CPI investiga um suposto esquema da empresa que envolveria Roberto Ferreira Dias, ex-diretor de logística do Ministério da Saúde, exonerado após o policial militar Luiz Paulo Dominghetti ter dito à Folha que Dias tinha pedido propina para avançar na negociação de 400 milhões de doses da vacina AstraZeneca.

A VTCLog assumiu toda a logística de distribuição de vacinas do país, medicamentos e outros insumos do país em 2018, quando o ministro da Saúde era Ricardo Barros, hoje em dia deputado federal (PP-PR) e líder do governo Bolsonaro na Câmara.

Há denúncias de que Dias, enquanto diretor, ignorou um parecer da consultoria do ministério contra um aditivo no contrato com a empresa, que elevou seu valor em R$ 88 milhões, durante a pandemia.

O setor teria apontado que a medida poderia ser desvantajosa para a administração pública, com a caracterização superfaturada, e ponderou ainda mais a realização de novo procedimento de licitação. A empresa nega todas as acusações.

Antes, quem fazia o trabalho da VTCLog por mais de 20 anos era um órgão público, Cenadi (Central Nacional de Armazenamento Imunobiológico e Distribuição), que foi pego de surpresa na época. A justificativa era de que a privatização tornaria o serviço mais eficiente e barato.

A CPI também investiga pagamentos em favor de Dias que teriam sido feitos pelo Voetur, que integra o grupo VTCLog. Entre os dias 15 de maio e 6 de julho deste ano, nove boletos foram emitidos em nome do ex-diretor do ministério, num total de R$ 47.

Para senadores, as transferências podem ser uma tentativa de camuflar supostas propinas pagas a Dias pela VTCLog, que tinha contratos com o ministério através de sua subsidiária Voetur.

Os senadores já haviam ouvido o motoboy Ivanildo Gonçalves da Silva, que atuou pela VTCLog e fez saques milionários para a empresa, mas disse não se lembrar de quem eram os beneficiários dos bolsistas para quem realizar depósitos.

Já para justificar a depoimentos do presidente diretor-presidente do ANS, o vice-presidente da CPI, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), argumenta que a comissão já reuniu indícios de “numerosas e gravíssimas irregularidades” cometidas pela Prevent Senior contra seus segurados e funcionários, mas que agora precisa cobrar da agência reguladora do setor explicações sobre quais convênios foram tomados para frear ou punir essas ações.

Um grupo de médicos Prevent entregou um dossiê à CPI em que afirma que os hospitais da rede foram usados como laboratórios para estudos com medicamentos sem efficácia comprovada para Covid-19. Os pacientes e seus familiares não foram informados sobre esse tipo de tratamento.

Ainda há outras queixas, como médicos sendo forçadas a trabalhar até mesmo infectadas pelo Covid-19 e sem equipamentos de proteção, como luvas e máscaras.

Em depoimento à CPI, médicos ‘ a advogada Bruna Morato disse que seus clientes tinham receio de relatar irregularidades na transportadora, já que havia uma relação próxima entre a empresa e os conselhos médicos.

Renan suspeita que a empresa teria sido arrematada pelos ANS enquanto executava aquele protocolo.

Advogado ligado ao centrão, o diretor-presidente da agência foi uma vez chefe de gabinete do Ministério da Saúde de 2016 2018, justamente na gestão de Ricardo Barros à frente da pasta.

CPI ainda pretende ouvir de alguns dos médicos que denunciaram Prevent Senior para ter uma fonte primária, que vivenciou os fatos relatado, mas há resistência entre ex-funcionários pela expo. Aziz defende também que vítimas do Covid fechem os depoimentos finais à comissão.

Constance Rezende, Folhapress Voltar para a página inicial

Fonte: politicalivre.com.br/2021/10/cpi-na-reta-final-ouve-ans-e-empresa-de-logistica-com-foco-em-prevent-senior-e-contrato-da-saude

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