Falta de saneamento básico causa mais de 273 internações em 2019 | Política Livre

Foto: Carolina Gonçalves / Agência Brasil Dados são estudo do Instituto Trata Brasil 5 de outubro de 2021 | 09:10

Falta de saneamento causa mais de 273 internações em 2019

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No Brasil, a falta de saneamento básico sobrecarregou o sistema de saúde com 273.403 internações por doenças de veiculação de água em 2019, um aumento de 30 hospitalizações em comparação com o ano anterior, além de 2.734 mortes. A incidência de internações foi de 13,01 casos por 10 habitantes, o que gerou despesa de R$ 108 milhões para o país naquele ano.

Os resultados são do estudo Saneamento e Doenças da Água-ano 2019, do Instituto Trata Brasil, divulgado nesta terça-feira (5). O estudo foi feito a partir de dados públicos do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS) e do Datasus, portal do Ministério da Saúde que acompanha os registros de internações, óbitos e outras ocorrências relacionadas à saúde da população.

No mesmo ano, a falta de acesso a água tratada e esgotamento sanitário levou a 2.734 mortes, uma média de 7,4 mortes por dia. No Nordeste, as mortes ultrapassaram mil casos; no Sudeste, 907; no Sul, 331; no Norte, foram 214; e, no Centro-Oeste, 213 mortes registraram mortes. Entre as doenças da veiculação hídrica, estão a diarreia, a dengue, a leptospirose, a esquistossomose e a malária.

Além do atual desafio de saúde pública no país, devido à pandemia covid-19, a Trata Brasil mostra que ainda há o desafio histórico do saneamento deficiente, que acaba levando as pessoas a hospitais diariamente. De acordo com dados de 2019, quase 35 milhões de pessoas vivem em locais sem acesso a água tratada, 100 milhões de pessoas sem acesso à coleta de esgoto e apenas 49% do esgoto no país são tratados.

As mais de 273 internações para a doença veicular de água resultaram em um custo de R$ 108 milhões para o país em 2019. A Região Nordeste, que em números gerais registrou mais internações, teve a maior despesa com esse tipo de internação-R$ 42,9 milhões. Na sequência, o Sudeste teve R$ 27,8 milhões com tais gastos, contra R$ 15,2 milhões do Norte, R$ 11,7 milhões do Sul, e R$ 10,2 milhões do Centro-Oeste.

Para a Trata Brasil, o estudo destaca a relevância de acelerar a agenda do saneamento com mais investimentos, para que mais pessoas recebam os serviços.

” Dados deixam claro que qualquer melhoria no acesso da população à água potável, coleta e tratamento de esgoto traz grandes ganhos para a saúde pública. Por outro lado, o não avanço torna perpetuantes essas doenças e mortes de brasileiros por não contar com a infraestrutura mais elementar. São hospitalizações que podem estar sendo alvo de doenças mais complexas, ” declarou o presidente executivo do Instituto Trata Brasil, Édison Carlos.

Com isso, o instituto afirma que as pessoas seriam mais saudáveis, e o Brasil trabalharia para cumprir o sexto Goal de Desenvolvimento Sustentável, fechado pela ONU, de universalizar o acesso a serviços de água e esgoto sanitário, além das metas do novo Marco Legal de Saneamento, Lei 14.026 de 2020 que estipula o termo até 2033 para que 99% da população tenha acesso a água tratada e 90% à coleta dos esgotos.

Regiões

O estudo concluiu que as internações para as doenças causadas pela falta de saneamento são distribuídas em todo o país, refletindo as condições sanitárias de cada região, e que a ausência de tal infraestrutura é mais evidente na Região Norte. Lá, apenas 12% da população tem coleta de esgoto e havia 42,3 internações para a doença de veiculação de água em 2019. De todo o volume de esgoto gerado na região-incluindo aquele recolhido e o que não é coletado-apenas 22% são tratados.

Então vem o Nordeste, onde apenas 28% da população tem coleta de esgoto e o tratamento atinge apenas 33% do volume total de esgoto gerado. A região teve o maior número de hospitalizações, um total de 113,7.

O Sul foi a terceira pior região no que diz respeito ao saneamento básico, com 46,3% da população tendo acesso à coleta dos drenos e 47% do esgoto gerado sendo tratado. No Centro-Oeste, 57,7% da população conta para coleta dos drenos e há 56,8% de tratamento do volume de esgoto gerado. Essas duas regiões registram 27,7 internações cada.

Já o Sudeste apresentou os melhores indicadores, com 79,2% da população com coleta de esgoto, com 55,5% do total de esgoto gerado sendo tratado. Na região, houve 61,7 internações por doenças veiculares hídrica.

Embora o Sudeste apresente números de internação maiores do que o Norte, ele tem sete vezes mais habitantes. Por isso, para uma comparação entre as bases iguais, o estudo calculou a incidência de internações por 10 habitantes. Com isso, observou-se que os estados do Norte e Nordeste se concentram nos maiores problemas em relação às hospitalizações.

Tendo em conta a taxa de incidência por 10 habitantes, são 22,9 internações no Norte; 19,9 no Nordeste; 17,2 no Centro-Oeste; 9,26 no Sudeste; e 6,99 no Sudeste.

Internações desse tipo, de crianças de zero a quatro anos, correspondem a 30% do valor total, sendo 81,9 internações em 2019, sendo 35,2 no Nordeste, 17,6 no Norte, 15,6 no Sudeste, 6,78 no Sul e 6,7 no o Centro-Oeste. No mesmo ano, 124 mortes de crianças ocorreram nessa faixa etária, sendo 54 delas no Nordeste, seguido pelo Norte com 41, Sudeste com 14, Centro-Oeste com 12 e o Sul com apenas três.

Estados

Em números absolutos, o Amapá aparece como a unidade da Federação com menos internações para a doença veicular da água em 2019, com 861, contra 38,2 no Maranhão, que teve o maior número de internações. Ultrapassam a marca de 20 internações gerais por doenças de veiculação hídrica os estados da Bahia (23,3), de Minas Gerais (24,7), São Paulo (26) e Pará (28).

Em relação à taxa de internações por 10 habitantes, o Maranhão fica como o estado com maiores casos, com 54,4 admitidos a cada 10, seguido do Pará com 32,62, e do Piauí com 29,64. O estado do Rio de Janeiro teve a menor taxa de internações por 10 habitantes, com 2,84, seguida por São Paulo com 5,67 e Rio Grande do Sul com 7,14.

Série Histórica

O estudo revelou que, de 2010 a 2019, o país registrou queda nas internações para a doença de veiculação de água, indo de 603,6 para 273,4. No entanto, houve um aumento de cerca de 30 internações de 2018 2019.

De acordo com a avaliação da entidade, os resultados mostram que, mesmo longe do ideal, a expansão do saneamento ao longo dos anos, com a ampliação das áreas de cobertura com água tratada e coleta de esgoto, trouxe ganhos para a saúde, permitida a redução de doenças e mortes por veiculação de água. Isso porque, em 2010, 54,6% da população não tinha nenhum recolhimento dos esgotos, enquanto nove anos depois, a população sem acesso foi reduzida a 45,9%.

No mesmo período, também houve queda no número de internações de crianças de zero a quatro anos, indo de 200,6 em 2010 e para 81,9 em 2019.

Dados da pandemia

Sobre a relação entre saneamento e doença em 2020, a Trata Brasil informou que dados preliminares mostram que o país tinha 174 internações por doenças veiculas de água, o que representaria uma Redução de 35% em relação a 2019. No entanto, a entidade explicou que os dados precisam ser analisados por instituições médicas, uma vez que a queda pode estar relacionada ao afastamento de pessoas de hospitais por medo de contaminação pelo covid-19.

O as mortes por doença veicular da água em 2020 foram estimadas em 1,9, o que representaria também uma redução entre 30% e 35% em comparação com o ano anterior.

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Fonte: politicalivre.com.br/2021/10/falta-de-saneamento-basico-causa-mais-de-273-mil-internacoes-em-2019

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