Semana de descontos do governo começa de maneira bem discreta-Notícias-R7 Brasil

A-A + Semana do Brasil virou Semana Brasil, sem o 'do'

Semana do Brasil transformou a Semana Brasil, sem o ‘do’

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Sem alarde, inicia nesta sexta (3) a terceira edição da Semana Brasil, que promete 11 dias de descontos em sites e lojas da empresa participando da iniciativa do governo federal.

Se as promoções são tão difíceis de encontrar o quanto de anúncios sobre as datas nos dias que antecedeu o período, a edição 2021 corre o risco de nem mesmo ser notada pelos consumidores.

Criada no primeiro ano da gestão do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e anunciada como a Black Friday of Independence, a Brasil Week, na verdade, não usa mais o nome original. O governo encontrou em 2020 que alguém registrou o domínio na internet e estaria coletando dados de empresários que demonstram interesse em participar do período de descontos, disse a vice-presidente da ACSP (Associação Comercial de São Paulo) e coordenadora do Conselho de Administração da Retail, Roseli Garcia. “Virou apenas a Semana Brasil, sem o ‘fazer’, por causa disso”, explicou.

As poucas peças de marketing vetadas em 2021 ajudam a entender por que a semana permanece longe de se tornar uma nova Black Friday, data no final de novembro importada dos Estados Unidos e que se popularizou no varejo brasileiro.

“Este ano houve um atraso no lançamento dos materiais publicitários e começamos a divulgar um pouco mais tarde”, admitiu a divulgação. vice-presidente da ACSP, entidade parceira da Secom (Secretaria de Comunicação da Presidência da República) e IDV (Institute for Retail Development) em coordenação de campanha.

“Mas a Secom prometeu que vai aumentar bastante esses comerciais até a próxima semana.”

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Secom, que perdeu fôlego com a criação do Ministério das Comunicações em outubro de 2020, é oficialmente o órgão público responsável pelo campanha. Em 2019 o evento foi vendido como um programa do Ministério do Turismo, que desapareceu dos anúncios já no ano seguinte. Economia, de Paulo Guedes, nunca teve um vínculo com a ideia de ganhos do comércio de estímulos.

Parece faltar força política e também apoio dos próprios parceiros que tentam aquecer as vendas em um mês fraco para os varejistas brasileiros. O nome da iniciativa do governo federal é escondido até mesmo pelas empresas confirmadas como participantes em 2021.

O Bahia Casas promete promoções de 5 a 20 de setembro, no “maior salão do Brasil”, mas não há menção à Semana Brasil em seu site. O mesmo acontece com o Morumbi Shopping Mall, em São Paulo, que uniu o período de ofertas para uma marca mais tradicional e conhecida: a Red Lab Week.

O empresário Luciano Hang, um dos garotos-propaganda da campanha desde 2019, também não usa a Semana Brasil na página da Havan. Ele faz uma live na sexta-feira para falar de “setembro do Brasil”, no qual promete todo o site em 10 vezes sem entrada e sem juros.

Em 2019, praticamente todos os principais nomes do e-commerce nacional ajudaram a divulgar as datas. Na quinta-feira (2), véspera da abertura do evento deste ano, nenhum grande site fez qualquer citação à Semana Brasil.

Em 2020, a mudança na adesão começava a mostrar, com poucas peças publicitárias sobre as empresas ‘ páginas e nenhum balanço posterior falando sobre sucesso de busca ou negócio nos dias de hoje.

A exceção foi Havan, que mesmo em meio à pandemia de covid-19, anunciou nos primórdios do ainda chamado Brasil Semana um crescimento de 65% nas vendas em relação ao mesmo período do ano anterior.

Inestabilidade política também atrações

indefinido

O presidente do Ibevar, instituto que concelta os executivos do varejo nacional, Claudio Felisoni de Angelo, analisa que o idealizado pelo governo semana não caiu no gosto popular e tem desafios ainda mais difíceis em 2021.

” Muitas empresas optaram por não entrar por uma questão de segurança em relação à oferta dos produtos e à compressão das margens de lucro em um momento tão difícil, ” ele disse. 

Felisoni lembra que em alguns segmentos ausentes os estoques e a indústria está com a capacidade de produção reduzida por medidas adotadas durante a pandemia, como protocolos de segurança sanitária e diminuição da demanda.

Ele argumenta ainda que o consumidor brasileiro está temeroso de fazer compras em função da crise econômica e também do ambiente político instável do país, com ameaças executivas ao Judiciário e o medo de mais brigas entre os Três Poderes.

“Veja o que está acontecendo com a bolsa de valores, que cai em conseqüência óbvia dessa instabilidade poética, que acaba diminuindo a possiblidade de aumentar a demanda”, comenta o presidente do Ibevar.

” A Semana Brasil, para ser bem clara, não pegou entre os brasileiros. E, com a pandemia, vai ficar ainda mais difícil para o consumidor se ajustar a esse tipo de iniciativa. “

Expectativa para este ano

Roseli Garcia da ACSP está esperando um aumento de 20% nas vendas este ano a partir de 2020 e o volume de negócios recorde das três edições.

No ano passado, houve uma queda de 8,3% em relação à que foi alcanada em 2019. Não há dados sobre o faturamento dos participantes nos dois primeiros anos e a associação não soube precisar do número de participantes confirmados em 2021. 

De acordo com o site oficial do Planalto, o primeiro ano de promoções teve um aumento de 11,3% nos comerciantes em comparação com os mesmos dias de 2018. Os segmentos que puxaram o melhor resultado, diz a publicação de outubro daquele ano, foram os cosméticos (+ 19,8%); móveis, eletroportáteis e lojas de departamento (12,6%), turismo e transporte (6,6%), vestuário e artigos esportivos (6,1%); e supermercados e hipermercados (4,5%).

Em 2020, quando houve a queda no faturamento justificável pela retenção geral da economia em meio ao avanço do coronavírus, o relato do R7 não encontrou nenhum balanço semelhante. Procurada, a Secom também não deu mais informações sobre esse ano.

O vice-presidente da ACSP que a associação buscou em 2021 para convencer pequenos e microempreendedores a participar do evento. “São as pessoas mais afetadas pela pandemia e as que precisam mais do estímulo”, justificou. “A gente vê que o consumidor quer voltar a consumir e se pode fazer perto de casa, com descontos e facilidades de pagamento, melhor ainda”, observou Roseli.

O fato de esses empresários tipicamente estarem fora do comércio online, principal chamariz da Black Friday e outras datas fortes para o comércio nacional, é um impedimento que busca ser superado pela ACSP. ” O empreendedor precisa aderir ao e-commerce e nós damos na associação toda a assesoria para ele entrar no varejo online. Temos até mesmo a possibilidade de oferecer gratuitamente, dependendo do caso, as ferramentas para que ele faça suas vendas “, disse o executivo.

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    “É uma questão de tempo, eu acredito que no futuro esta semana vai se consolidar como uma data importante no cenário nacional, talvez até mais do que a Black Friday”, acrescentou Roseli Garcia.

    Secom acredita que a edição atual servirá para impulsionar ‘ a retomada do crescimento da economia ‘.

    “A expectativa é que a Semana Brasil 2021, cujo mote é’ Vamos em frente, com cuidado e confiança ‘, traga resultados ainda melhores para a economia tendo em vista o retorno gradual à normalidade, com a recuperação da renda e do consumo no país”, disse ele por e-mail à reportagem ..

    A secretaria não respondeu, no entanto, o número de participantes este ano e também não disse a expectativa de vendas. Mas enfatizou que as empresas que querem fazer parte da campanha devem se inscrever no site gov.br/semanabrasil. Não confundir com o outro endereço, que usa o nome Semana do Brasil e seria irregular, de acordo com a ACSP.

    Sobre aquele site, o R7 perguntou à Secom se algum arranjo foi adotado pelo governo federal para evitar lesões nas empresas e consumidores que chegam por engano ao endereço eletrônico. Não houve resposta à data da publicação.

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Fonte: noticias.r7.com/brasil/semana-de-descontos-do-governo-comeca-de-maneira-bem-discreta-03092021

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