Setor de eventos projeta retomada de 100% da capacidade no final de 2022 | Política Livre

Foto: Secom / PMS/Arquivo Carnaval de Salvador 4 de outubro de 2021 | 07:25

Projetos do Setor de Eventos a retomada de 100% da capacidade no final de 2022

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Mostra, exposições, bienal de livros, corridas de rua, feiras corporativas … O mercado de eventos de entretenimento e negócios começa a retomar a presença de público e espera acelerar a atividade nos próximos meses, com o avanço da vacinação e das autorizações do poder público. Um dos primeiros a parar na pandemia, o setor é hoje um dos últimos a iniciar a recuperação.

Presidente da Associação Brasileira de Promotores de Eventos (Abrape), Doreni Caramori Júnior diz que o plano é voltar a operar com 50% do suprimento regular de mercado nos próximos três meses. Em 2022, ele espera que 100% da programação do evento tenha voltado-o que representa, em média, 440 eventos no ano.

Recentemente, a Prefeitura de São Paulo autorizou o retorno do público aos estádios de futebol e a confecção dos preparativos para o carnaval. No Rio, o prefeito Eduardo Paes autorizou três eventos-teste em outubro sem exigência de máscara e distanciamento, sendo dois deles para até 5 pessoas. A cidade também já divulgou eventos para até 500 pessoas.

Para Duda Magalhães, sócio e presidente da Dream Factory, empresa de entretenimento ao vivo do grupo de empresários Dreamers do empresário Roberto Medina, o cenário permite investir na retomada de eventos, quadro que não existia há seis meses. “As prefeituras sinalizam a retomada com base em dados que mostram que os poucos eventos que ocorreram não mexeram no ponteiro de contágio e internações”, diz Magalhães.

A Dream Factory é responsável pelo Rally dos Sertões, o Festival de Jazz do Rio Montreux e o ArtRio, feira internacional de arte. A empresa conduz a Maratona do Rio, que ocorrerá em novembro, além das carnavais de rua do Rio e de São Paulo. “Por características dos projetos, acho que poderemos fazer tudo no próximo ano”, afirma Magalhães (veja mais abaixo).

Milena Palumbo, CEO da GL Events no Brasil, conta que o São Paulo Expo, espaço de feiras e exposições comandadas pela gigante francesa, tem reservas que ocupam 70% do calendário e o metro do próximo ano. “A perspectiva de chegar a novembro com toda a população adulta vacinada nos deixa otimistas”, diz ele.

Uma das primeiras feiras da empresa será o Boat Show 2021, em novembro, no São Paulo Expo. No mês seguinte, no Rio, realizará a Bienal do Livro no Riocentro com capacidade para 300 pessoas ao longo de dez dias (metade do público de antes da pandemia). A empresa ainda participará da montagem de instalações temporárias de Fórmula 1 GP na capital paulista.

Milena afirma que o mercado de eventos corporativos e as feiras de negócios demoraram para reagir não só porque as empresas se retraíam e seguraram funcionários em home office. Para ela, o setor foi tratado sem isonomia: manteve-se com muitas restrições, enquanto os shoppings foram rapidamente reabertos.

Na área de entretenimento ao vivo, a empresa voltou a realizar shows na Jeunesse Arena, no Rio. Neste mês, 2 pessoas compareceram a uma apresentação do sambista Diogo Nogueira. Com as medidas de distanciamento e exigência de certificação da vacinação, o público ficou com 15% da capacidade da casa, de 18 pessoas. A expectativa é de que as turnês internacionais voltem nos próximos meses.

O setor reconhece, no entanto, que ainda há desafios nessa retomada. O mais imediato deles é equilibrar os custos gerados pelos protocolos sanitários e a menor receita acionada pelos limites de ocupação. Bernardo Fonseca, CEO da X3M, conta que abriu mão de um palco de seu circuito de corrida de rastros em Ilhabela, no litoral de São Paulo, porque não seria rentável. ” Nós conseguimos a autorização para realizar o evento, mas teríamos 2,5, e não os 5 que tínhamos antes da pandemia. Então, decidimos não realizá-lo. Não adianta executar um evento rodando, ” explica Fonseca.

O presidente da Abrape acredita que a maioria dos eventos é pouco ou nada proveitoso no momento. Para auxiliar nessa retomada, a associação está lançando uma plataforma chamada Radar de Eventos do Brasil, que cruza dados atualizados e projetados da paisagem geral de vacinação e o número de vítimas do covid-19 até dezembro de 2021 para avaliar o retorno seguro dos eventos. “A ideia é que a ferramenta possa atender tanto ao poder público como ao setor privado”, explica Caramori.

A pandemia não acabou, mas estamos em um momento de mais conhecimento, segurança e avanço da vacinação. O setor de eventos é, gradativamente, sendo reaberto e a curva de contágio continua em queda. A retomada começou e o setor deve operar mais próximo da capacidade total a partir do próximo ano. O cenário nos permite investir nessa retomada. Pudemos perceber o Rally dos Sertões no final de agosto, atravessando vários estados do Nordeste. Em setembro, realizamos o ArtRio, uma edição muito especial, com galerias muito fortes, o público voltando. Em novembro, realizaremos a Maratona do Rio de Janeiro.

A retomada ocorre com medidas e protocolos de segurança. No caso da Maratona do Rio, por exemplo, adotamos mais medidas para evitar as aglomerações. Teremos menos ativações de marca no local de largada e chegada, realizaremos a largada em ondas.

O setor se adaptou à pandemia com a realização de eventos virtuais. É algo que, agora, permanecerá? Houve, sim, uma aceleração e ampliação do contato com o mundo digital durante a pandemia. Isso não vai se perder. Mas os novos formatos não substituem o evento presencial. O ser humano é naturalmente sociável, isto é, precisa estar em comunidade e estabelecer relações. Sinal disso é que o próprio modelo de artistas ‘ vidas, muito comuns no início da pandemia, esgotou-se um pouco.

O risco é o surgimento de alguma variante não coberta pelas vacinas, e que isso faça um impacto na curva de contágio e morte por covid-19. Eu não acredito, é uma hipótese muito remota, mas é a opinião de um empreendedor, não um infectologista.

Nós nos Sofoquei em 2020, como todo o setor, mas conseguimos nos adaptar. Nós fizemos a Rio Oil & Gas para o Instituto Brasileiro de Petróleo (IBP) em formato virtual, lançamos uma rede nacional de drive-ins que visava cinco capitais. A crise não mudou nossa visão estratégica de criar um ecossistema de experiências, com aquisição de participações majoradas em eventos, mantendo no comando seus fundadores. Nós aceleramos o plano de fornecer mais serviços para eventos, como uma empresa de “ticketeria” (GoDream), uma de locação de equipamentos (Dream Loc) e uma plataforma de pagamento “cashless” (sem dinheiro). / COLABOROU AUDRYN KAROLY

Bruno Villas Bôas / Estadão Voltar para a página inicial

Fonte: politicalivre.com.br/2021/10/setor-de-eventos-projeta-retomada-de-100-da-capacidade-no-fim-de-2022

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