Vacina da Pfizer é a mais distribuída para Estados em agosto e setembro | Política Livre

Foto: Jakub Porzycki / NurPhoto / Getty Images / Arquivo ofertas iniciais foram rejeitadas pelo governo federal, e primeiras doses chegaram no final de abril 3 de outubro de 2021 | 10:40

A vacina da Pfizer é a mais distribuída para Estados em agosto e setembro

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Inicialmente rejeitada pelo governo federal, a vacina da Pfizer representa 51% das doses distribuídas para estados nos últimos dois meses, levando a entregas da carteira em agosto e setembro.

Foram 60 milhões de doses neste período, sendo 26 milhões em agosto e 34 milhões em setembro. Em relação à Fiocruz / AstraZeneca, 22 milhões de doses foram distribuídas nos últimos dois meses. No mesmo período, foram 36 milhões do Instituto Butantan / Sinovac e 100 de Janssen.

O governo federal levou sete meses para fechar um contrato após a primeira licitação da Pfizer, que previa que as primeiras entregas fossem feitas já em dezembro de 2020. Na verdade, eles aconteceram no final de abril de 2021.

A Pfizer tinha pelo menos 53 e-mails sem respostas por parte do governo, de acordo com o vice-presidente do comitê de CPI do Covid, Randolfe Rodrigues (Rede-AP). O atraso foi motivo de investigação da comissão.

Os correios foram direcionados a todas as pessoas do alto escalão da Secretaria de Saúde na gestão do então ministro Eduardo Pazuello, e referiam-se também a membros do Palácio do Planalto.

O Ministério da Saúde chegou a divulgar uma nota dizendo que “cláusulas leoninas” da empresa norte-americana criaram barreiras nas negociações. A pasta só se firmou com o laboratório no dia 19 de março deste ano, graças a uma lei de iniciativa do Congresso.

A resistência do governo em adquirir as vacinas da Pfizer possibilitou a abertura da portaria de Saúde para a série de negociações suspeitas na aquisição de imunizantes. ​​Nesse intervalo, a pasta discutiu ofertas de vacinas com entregas improváveis, além da compra de germicida no auge da pandemia.

De acordo com a Pfizer, a previsão é entregar todas as doses referentes ao primeiro contrato com o Ministério da Saúde até este domingo (3). Um novo compromisso foi assinado em maio para a entrega de um adicional de 100 milhões de doses.

No Brasil, 301 milhões de doses de vacina Covid-19 foram distribuídas ao longo da última sexta-feira (1 °). Apesar da Pfizer liderar o número de entregas nos últimos dois meses, as vacinas da Fiocruz / AstraZeneca e do Instituto Butantan / Sinovac foram as mais distribuídas, na soma total, até agora.

Na distribuição quantitativa estão as doses de contratos diretos do governo com os laboratórios, aqueles adquiridos por meio do consórcio Covax Facility e outros doados ao PNI (Programa Nacional de Imunização).

Além disso, há 17 milhões de doses na pasta de fase de liberação da Pfizer, Instituto Butantan, Fiocruz e doses do Coronavac através da Linha Covax consórcio.

Em contratos já assinados diretamente com os laboratórios, a pasta ainda precisa receber 100 milhões de doses da Pfizer, 36,1 milhões de Janssen e 70 milhões da AstraZeneca. Há previsão de doses também por meio do consórcio Covax Facility e com contratos ainda em tratamento.

O Instituto Butantan, que também demorou para conseguir fechar contrato com a carteira por resistência do governo, finalizou a entrega das 100 milhões de doses para o PNI, em relação a dois contratos.

Foi por causa de Coronavac que o país conseguiu iniciar a imunização em 17 de janeiro deste ano. A primeira pessoa escolhida foi a enfermeira Monica Calazans, em São Paulo.

Ela recebeu o imunizante depois que a Anvisa aprovou seu uso emergencial. O profissional participou dos testes clínicos da vacina, mas estava no grupo placebo.

” O Ministério da Saúde relata que já foi contratada mais de 600 milhões de doses de vacinas Covid-19 somente neste ano. O quantitativo é suficiente para completar a vacinação de toda a população brasileira com duas doses e a dose de reforço em seniores acima de 60 anos e imunosupprimidos, ” a pasta disse em nota.

No país, 93,3% da população com mais de 18 anos já recebeu pelo menos uma dose (a primeira dose de alguma vacina ou o imunizante da dose única) e 57,1% (também com mais de 18 anos) recebeu as duas doses recebidas ou a dose única de Janssen.

Nas últimas semanas, os adolescentes de 12 a 17 anos foram incluídos no grupo de vacinação pela pasta. Já os idosos a partir dos 60 anos, imunosupprimidos e profissionais da saúde passaram a receber doses de reforço.

Mauro Junqueira, secretário-executivo do Conasems (Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde), disse que a estratégia do Ministério da Saúde para fechar contrato com os laboratórios que possuía imunizantes disponíveis era importante para garantir que o país ficasse abastecido durante todo o ano.

” Os números pandêmicos ainda são preocupantes, mas muito melhores do que os cenários anteriores com a vacinação. Somos leitos de fechamento diários porque o número de pacientes reduziu com o programa de imunização “, disse.

Para o próximo ano, o Ministério da Saúde informou que mantém diálogos com laboratórios para analisar a aquisição de doses para um possível novo ciclo de imunização.

O ministro da Saúde substituto, Rodrigo Cruz, disse em reunião da Comissão de Intergestores Tripartite, nesta quinta-feira (30), que a programação de vacinação para 2022 está caminhando.

” Já temos duas vacinas com registro definitivo da Anvisa, que são a AstraZeneca e a Pfizer. Caminhamos em negociações com os laboratórios que já têm uma oferta para nós “, disse.

” Hoje, estudos apontam a necessidade de uma dose de reforço para a população vacinada. Por óbvio, não temos nenhuma garantia e no futuro isso pode ser mudado, mas logo traremos a notícia do nosso processo de planejamento de aquisição de vacinas em 2022, ” finalizado.

Como mostrou a Folha, o governo Jair Bolsonaro (sem partido) reservou para compras de vacina Covid-19 em 2022 menor do que o previsto para 2021.

De acordo com o Orçamento do ano que vem apresentado ao Congresso em agosto, serão R$ 3,9 bilhões para a aquisição de imunizantes, contra R$ 27,8 bilhões autorizados para a mesma finalidade este ano.

Raquel Lopes, Folhapress Voltar para a página inicial

Fonte: politicalivre.com.br/2021/10/vacina-da-pfizer-e-a-mais-distribuida-aos-estados-em-agosto-e-setembro

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