O Centro Especializado de Reabilitação (CER) Barra certificou, nesta sexta-feira (20), a primeira turma do curso de Auxiliar de Desenvolvimento Infantil (ADI), em Salvador. A formação, realizada na própria unidade, marca um avanço importante na qualificação profissional e no fortalecimento do cuidado com crianças neurodivergentes na capital baiana.
Inaugurado pela Prefeitura de Salvador e administrado pelo Instituto Occasio, o CER Barra reuniu, nesta primeira edição, 63 participantes — sendo 61 mulheres e dois homens — que concluíram uma carga horária de 180 horas. Entre os formandos, estão mães de crianças atendidas pela rede municipal de saúde, muitas delas com diagnósticos de transtornos do neurodesenvolvimento, como o autismo.
A iniciativa representa o encerramento do primeiro ciclo do projeto, que teve como principal objetivo ampliar o conhecimento sobre o desenvolvimento infantil, além de capacitar os participantes para o cuidado com crianças atípicas. A proposta também buscou promover mais autonomia no ambiente familiar e abrir portas para a inserção no mercado de trabalho.
De acordo com o diretor-geral do CER Barra, Roberto Novaes, a formação gera impactos diretos tanto na vida das famílias quanto na qualificação profissional dos participantes. “Essa formação oferece ferramentas para que mães atípicas possam cuidar melhor de seus filhos. Além disso, do ponto de vista técnico, capacita profissionais para atuar com mais sensibilidade no cuidado com essas crianças”, destacou.
Ainda segundo Novaes, o sucesso da primeira turma já impulsiona novos planos para a continuidade do projeto. “Não foi apenas uma entrega de conhecimento, mas uma oportunidade real de transformação de vidas. Já estamos planejando a abertura de novas turmas”, afirmou.
A diretora de Avaliação e Expansão do Instituto Occasio, Edna Santos, explicou que o curso surgiu a partir da demanda das próprias mães. Muitas delas precisaram se afastar do mercado de trabalho para se dedicar integralmente aos filhos. “Elas nos procuraram em busca de oportunidades para retomar a vida profissional. Esse curso foi pensado justamente para atender essa necessidade”, relatou.
A expectativa, segundo a gestora, é que novas turmas sejam formadas já no próximo semestre, ampliando o alcance da iniciativa.
Para as participantes, a experiência vai além da qualificação profissional. Mãe atípica, Cláudia Catrine, de 29 anos, destacou a importância do curso no dia a dia com o filho. “Foi um divisor de águas. Quando recebemos o diagnóstico de autismo, não vem um manual de como cuidar. O curso trouxe esse olhar e me ajudou muito dentro de casa”, afirmou.
Já Joyce Moreira Gonçalves, de 47 anos, ressaltou o impacto da formação na preparação para o mercado de trabalho. “Hoje me sinto mais preparada para lidar com crianças atípicas. São crianças que podem estar em qualquer ambiente, desde que haja pessoas capacitadas para acolhê-las e compreendê-las”, disse.
A formação do CER Barra reforça a importância de políticas públicas voltadas à inclusão, ao cuidado especializado e à valorização de famílias que convivem com o desafio da neurodivergência, promovendo conhecimento, autonomia e novas oportunidades.
