Janeiro Branco: Creasi reforça cuidados com a saúde mental da pessoa idosa na Bahia

SAÚDE

No contexto do Janeiro Branco, campanha nacional de conscientização sobre a saúde mental, o Centro de Referência Estadual de Atenção à Saúde do Idoso (Creasi) tem intensificado uma série de ações educativas voltadas para pacientes idosos e seus acompanhantes. A iniciativa tem como objetivo orientar sobre a prevenção do adoecimento psíquico e reforçar a importância do cuidado contínuo com a saúde mental na terceira idade.

Entre as principais recomendações repassadas durante as atividades estão a adoção de uma alimentação saudável, a prática regular de exercícios físicos, o fortalecimento dos vínculos sociais, o controle adequado de doenças crônicas e a busca por ajuda profissional diante de sinais de depressão e ansiedade. As ações estão sendo desenvolvidas por técnicos de enfermagem, com apoio de estagiários do programa Permanecer SUS.

Atendimento humanizado e encaminhamento pelo TeleCreasi

A campanha também destaca o trabalho realizado pelo Creasi ao longo de todo o ano, com atendimento humanizado a idosos frágeis ou em risco de fragilização, especialmente aqueles que já apresentam declínio funcional. Agravos relacionados à saúde mental impactam diretamente a autonomia e a funcionalidade da pessoa idosa, sendo fundamental a identificação precoce desses sinais pelos profissionais da Atenção Primária à Saúde.

Quando o declínio é constatado, o encaminhamento ao serviço especializado ocorre por meio do TeleCreasi, plataforma integrada ao Telessaúde, garantindo maior agilidade no acesso ao cuidado adequado.

Como a depressão se manifesta na pessoa idosa

A psicóloga Fabiana Feldman alerta para a necessidade de atenção aos sinais específicos da depressão na terceira idade. Segundo ela, é essencial observar mudanças no comportamento cotidiano.

“É importante avaliar se o idoso está restringindo a vida social, se deixa de sair de casa, permanece a maior parte do tempo deitado ou passa a ter dificuldades para realizar tarefas simples, como cozinhar ou cuidar de familiares. A presença de dores crônicas associadas ao adoecimento mental também é um fator de alerta”, explica.

Dados preocupantes sobre depressão entre idosos

De acordo com a última Pesquisa Nacional de Saúde (PNS), realizada pelo IBGE, a depressão é a principal causa de adoecimento mental no Brasil. A faixa etária com maior proporção de casos é a de idosos entre 60 e 64 anos, com prevalência de 13,2%, atingindo mais mulheres (14,7%) do que homens (5,1%).

Por que a depressão é mais comum na terceira idade?

A psicóloga Maria Luiza Silva destaca que fatores sociais, físicos e emocionais contribuem para o aumento dos casos de depressão entre idosos.

“A depressão nessa fase da vida está fortemente relacionada ao declínio físico. Muitas pessoas passam a conviver com doenças crônicas, limitações funcionais e dependência de terceiros para tarefas que antes realizavam sozinhas. A solidão e a sobrecarga de um único cuidador familiar também agravam esse quadro”, afirma.

Ela ressalta ainda que fatores externos, como precariedade nas condições de moradia, alimentação inadequada e situações de violência doméstica, física ou psicológica, impactam diretamente a saúde mental da população idosa.

Em casos extremos, a depressão pode levar ao suicídio. Em 2025, na Bahia, 91 pessoas com idades entre 60 e 80 anos ou mais morreram em decorrência de lesões autoprovocadas intencionalmente, segundo dados do Painel de Monitoramento da Mortalidade.

Não sofra em silêncio: onde buscar ajuda

O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece tratamento psicológico gratuito por meio das Unidades Básicas de Saúde (UBS) e Unidades de Saúde da Família (USF), com encaminhamento para psicólogos e psiquiatras da rede pública. Também há atendimento especializado nos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), com equipes multiprofissionais.

Outra importante rede de apoio é o Centro de Valorização da Vida (CVV), que funciona 24 horas por dia pelo telefone 188 ou por chat online, oferecendo escuta qualificada e apoio emocional.

Na Bahia, universidades públicas e privadas disponibilizam Clínicas-Escola de Psicologia com atendimento gratuito ou a baixo custo para a população. A Universidade Federal da Bahia (UFBA), por exemplo, mantém o Serviço de Psicologia (IPSS), aberto à comunidade em geral.

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