O Ministério da Saúde divulgou, nesta quinta-feira (9), uma nova nota técnica com orientações atualizadas sobre o atendimento e a notificação de casos de intoxicação por metanol após o consumo de bebidas alcoólicas adulteradas.
De acordo com o documento, a confirmação dos casos e a indicação de tratamento passam a ser baseadas no histórico de ingestão, no quadro clínico do paciente e em exames laboratoriais compatíveis.
Casos suspeitos e critérios de notificação
Além dos casos confirmados, a nova orientação também define critérios para casos suspeitos, que agora devem ser considerados quando houver persistência ou piora dos sintomas entre 6 e 72 horas após o consumo da bebida.
O documento detalha o fluxo de análise laboratorial, os procedimentos para solicitação de insumos e reforça a notificação imediata ao Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde (CIEVS).
Mesmo com essa notificação imediata, o registro no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN) continua sendo obrigatório.
Fluxo laboratorial e análise das amostras
A definição dos laboratórios responsáveis pelas análises ficará a cargo de cada estado, com prioridade para as unidades da rede CIATox (Centros de Informação e Assistência Toxicológica) ou laboratórios da Polícia Científica.
Na Bahia, por exemplo, o CIATox-BA realiza anualmente cerca de 9 mil atendimentos relacionados a intoxicações.
Nos estados sem estrutura para os testes, as amostras devem ser encaminhadas aos Laboratórios Centrais de Saúde Pública (LACEN), que enviam o material para o CIATox-Campinas (SP).
Atualmente, 21 estados já possuem fluxo definido para encaminhamento e análise das amostras.
Estados sem CIATox podem utilizar o Disque-Intoxicação da Anvisa (0800 722 6001), serviço gratuito e disponível 24 horas.
Com o apoio do laboratório da Unicamp (SP), o país passa a ter capacidade para realizar até 190 testes por dia, ampliando a agilidade no diagnóstico e tratamento dos pacientes.
Distribuição de antídotos pelo SUS
O Brasil também recebeu, nesta quinta-feira (9), um lote com 2,5 mil unidades do antídoto fomepizol, utilizado no tratamento de intoxicações por metanol.
Desse total, 1,5 mil unidades foram enviadas aos estados — sendo São Paulo o primeiro a receber 288 doses.
Outros estados com ocorrências suspeitas também foram contemplados, entre eles:
Pernambuco (68), Paraná (84), Rio de Janeiro (120), Rio Grande do Sul (80), Mato Grosso do Sul (20), Piauí (24), Espírito Santo (28), Goiás (52), Acre (16), Paraíba (28) e Rondônia (16).
As mil ampolas restantes permanecerão no estoque estratégico do Ministério da Saúde.
Outro item essencial no tratamento, o etanol farmacêutico, também foi distribuído aos estados, incluindo Bahia (90 unidades), Ceará (120), Pernambuco (480) e Paraná (360).
Sinais e sintomas de intoxicação por metanol
Os sintomas de intoxicação por metanol podem demorar de 6 a 72 horas para aparecer. É importante buscar atendimento médico imediato em caso de suspeita.
Sintomas iniciais:
- Sensação de embriaguez que não passa
- Náuseas e vômitos
- Dor abdominal intensa ou desconforto gástrico
Sintomas neurológicos:
- Dor de cabeça e tontura
- Confusão mental
- Alterações visuais (visão turva ou perda de visão)
Atenção: se você ou alguém próximo apresentar esses sinais após ingerir bebida alcoólica, procure imediatamente o serviço de emergência mais próximo.
Entenda o risco
O metanol é uma substância altamente tóxica, utilizada em produtos industriais, e não deve estar presente em bebidas alcoólicas.
A ingestão pode causar cegueira, insuficiência respiratória e até a morte, reforçando a importância de comprar bebidas apenas de fontes confiáveis e denunciar suspeitas de adulteração.
