Caso Banco Master amplia confronto entre Jerônimo Rodrigues e ACM Neto na disputa pelo Governo da Bahia

BAHIA

As investigações envolvendo o Banco Master e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro passaram a ocupar espaço central na disputa pelo Governo da Bahia. O governador Jerônimo Rodrigues (PT) e o ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União Brasil) intensificaram os embates políticos, enquanto integrantes dos dois grupos são citados em apurações da Polícia Federal.

O caso, que inicialmente ficou fora dos principais confrontos da campanha, tornou-se um dos temas de maior repercussão entre os adversários. De um lado, o PT cobra explicações de ACM Neto sobre sua relação com o banco. Do outro, aliados do ex-prefeito questionam a permanência de Eduardo Sodré, enteado do senador Jaques Wagner (PT), na Secretaria Estadual do Meio Ambiente.

Proposta de delação de Vorcaro provoca reação do PT

A ofensiva petista ganhou força após a divulgação de informações sobre uma proposta de delação atribuída a Daniel Vorcaro, que mencionaria ACM Neto e Antônio Rueda, presidente nacional do União Brasil.

Segundo reportagem do UOL, o ex-banqueiro teria afirmado que os dois atuaram em favor do Banco Master junto a institutos de previdência estaduais, com a previsão de recebimento de 10% dos valores investidos na instituição.

A proposta de delação, contudo, foi negada pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República (PGR), conforme as informações divulgadas sobre o caso.

Jerônimo Rodrigues passou a utilizar o episódio para cobrar esclarecimentos do adversário. Em entrevista à TV Bahia, o governador também relacionou as acusações a uma proposta de ACM Neto para a área da saúde, chamada de “Pix Saúde”.

A iniciativa prevê a compra de vagas na rede privada para atender pacientes em situações urgentes quando não houver disponibilidade na rede pública.

Ao comentar a proposta, Jerônimo questionou se o modelo poderia envolver cobranças indevidas, fazendo referência às suspeitas atribuídas ao ex-banqueiro.

ACM Neto reagiu às declarações e afirmou que pretende processar o governador por calúnia. Anteriormente, o ex-prefeito havia classificado a divulgação do conteúdo como um “vazamento seletivo” e uma ação orquestrada às vésperas da eleição.

Relatórios apontam pagamentos de R$ 3,6 milhões a empresa de ACM Neto

Outro ponto de questionamento envolve relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), que apontaram o recebimento de R$ 3,6 milhões por uma empresa de ACM Neto, provenientes do Banco Master e da gestora Reag.

O ex-prefeito afirmou que os valores correspondem a serviços de consultoria e que os pagamentos são lícitos e foram devidamente declarados.

ACM Neto também aparece no contexto da Operação Overclean, que investiga suspeitas de irregularidades envolvendo contratos públicos.

Segundo informações divulgadas sobre a investigação, a Polícia Federal solicitou mandados de busca contra o ex-prefeito em uma nova fase da operação. O pedido, entretanto, foi negado pelo ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Após a divulgação do episódio, integrantes do PT passaram a cobrar que o adversário apresente voluntariamente seus sigilos bancário e fiscal.

Partidos acionam STF e questionam condução das investigações

A disputa também chegou ao Supremo Tribunal Federal.

PT, PCdoB e PV protocolaram uma ação solicitando a retirada do sigilo e o acesso público aos autos das investigações que envolvem ACM Neto.

A iniciativa também busca apurar se houve eventual conduta parcial do ministro André Mendonça em favor do grupo político do ex-prefeito. Os advogados dos partidos apontam possível interferência indevida no processo eleitoral.

As alegações fazem parte da ação apresentada pelas siglas e dependem da análise das autoridades competentes.

União Brasil e PP pedem afastamento de Eduardo Sodré

A reação do grupo político de ACM Neto veio por meio de uma representação apresentada à Procuradoria-Geral da República por União Brasil e PP.

Os partidos pediram que seja avaliado o afastamento de Eduardo Sodré, secretário estadual do Meio Ambiente e enteado do senador Jaques Wagner, em razão das investigações relacionadas ao Banco Master.

O deputado federal Arthur Maia (União Brasil), presidente da federação União Progressista na Bahia, afirmou que a permanência do secretário no cargo precisa ser questionada diante das suspeitas investigadas.

A oposição também acusa o governo estadual de adotar critérios diferentes ao cobrar explicações de adversários políticos e manter aliados sob investigação em funções públicas.

Entre os exemplos citados estão contratos ligados à Superintendência de Fomento ao Turismo do Estado da Bahia (Sufotur), que também são alvo de questionamentos.

Jerônimo defende permanência do secretário no governo

Questionado sobre a situação de Eduardo Sodré, Jerônimo Rodrigues afirmou que o secretário foi citado nas investigações, mas que não existe impedimento para o exercício de sua profissão.

O governador optou por mantê-lo no cargo, argumentando que as apurações não representam, por si só, uma comprovação de culpa.

A posição contrasta com a decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de afastar Jaques Wagner da liderança do governo no Senado, após o parlamentar passar a ser alvo de investigação.

Eduardo Sodré foi alvo da Operação Compliance Zero, em junho, e teve seu nome relacionado a movimentações financeiras investigadas pela Polícia Federal.

PF apura transferência de R$ 3,5 milhões para empresa ligada à esposa de Sodré

De acordo com informações da investigação, a Polícia Federal identificou um pagamento de R$ 3,5 milhões realizado pela PLK One Participações, empresa vinculada à operação Credcesta, para uma microempresa da esposa de Eduardo Sodré, Bonnie Bonilha.

A empresa responsável pelo pagamento é ligada ao empresário Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro.

O secretário está submetido a medidas cautelares, que incluem restrições de contato com outros investigados, proibição de atuação nas empresas sob apuração e suspensão do passaporte, impedindo sua saída do país.

Desde que foi alvo da operação, Eduardo Sodré reduziu suas agendas institucionais e ainda não se manifestou publicamente sobre as investigações, segundo as informações disponíveis no material que embasa esta reportagem.

Jaques Wagner também é citado nas apurações

O senador Jaques Wagner segue em campanha ao lado de Jerônimo Rodrigues e tem afirmado que pretende provar sua inocência na Justiça.

A Polícia Federal apura se o parlamentar recebeu pagamentos relacionados ao Banco Master por meio de uma empresa ligada à sua nora. As investigações também mencionam um apartamento em Salvador avaliado em R$ 2,5 milhões.

O caso amplia a pressão sobre o grupo político do governador, que tem utilizado as suspeitas envolvendo ACM Neto como argumento nos embates eleitorais.

Investigações ampliam tensão na política baiana

Com acusações públicas, representações judiciais e pedidos de esclarecimento, o caso Banco Master passou a integrar o centro da disputa política pelo Governo da Bahia.

Enquanto o grupo de Jerônimo Rodrigues cobra explicações de ACM Neto, a oposição questiona a permanência de Eduardo Sodré no governo e a atuação de aliados do PT citados nas investigações.

Os desdobramentos das apurações e as decisões da Justiça devem continuar repercutindo no cenário político estadual durante a campanha eleitoral.

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