O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), anunciou sua renúncia ao cargo neste domingo (22), em um discurso marcado por fortes críticas ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e pela defesa de uma agenda de combate à corrupção no país.
A declaração foi feita durante solenidade em frente ao Palácio Tiradentes, onde Zema afirmou que o Brasil enfrenta dificuldades estruturais e responsabilizou o governo federal pela situação atual.
“Ninguém aguenta mais a farra da corrupção, ninguém aguenta mais viver com medo, ninguém aguenta mais a conta não fechar no fim do mês”, declarou.
Pré-candidatura à Presidência
Com a renúncia, Zema reforça sua posição como pré-candidato à Presidência da República nas eleições de 2026. Apesar disso, seu desempenho nas pesquisas ainda é modesto. No cenário mais recente do Datafolha, ele aparece com 4% das intenções de voto, atrás de Lula (38%), Flávio Bolsonaro (32%) e Ratinho Junior (7%).
Durante o discurso, Zema fez um balanço de sua gestão à frente do governo mineiro, destacando avanços administrativos e reiterando a necessidade de mudanças no cenário político nacional.
“Nós não somos um país fracassado, somos um país roubado. Chegou a hora de mudar o Brasil todo”, afirmou.
Mateus Simões assume o governo
Com a saída de Zema, o vice-governador Mateus Simões (PSD) assume o comando do estado. Ele também deve disputar a sucessão estadual e já articula alianças políticas, buscando apoio de setores ligados ao bolsonarismo.
Simões fez um discurso alinhado ao de Zema, com críticas ao governo federal e ênfase na segurança pública.
“Em Minas Gerais, quem tem direito de usar a força é só a polícia. Qualquer bandido que tentar atuar aqui vai ser caçado e expulso”, declarou.
Articulações políticas e cenário eleitoral
Nos bastidores, há discussões sobre possíveis composições para a eleição presidencial. Uma das hipóteses levantadas é a formação de uma chapa com Flávio Bolsonaro tendo Zema como vice, embora o próprio grupo reconheça a complexidade da articulação.
Dentro do PSD, Simões afirmou que está mais alinhado ao projeto nacional de Zema do que aos nomes cogitados pelo partido, como Ratinho Junior, Ronaldo Caiado e Eduardo Leite.
Já na disputa pelo governo de Minas, o senador Rodrigo Pacheco pode deixar o PSD para concorrer por outra sigla com apoio do presidente Lula.
Além disso, o PL avalia outros nomes para a corrida estadual, como o senador Cleitinho (Republicanos) e o presidente da Fiemg, Flávio Roscoe.
Discurso reforça polarização
A renúncia de Zema e seu discurso reforçam o cenário de polarização política no país, antecipando o tom da disputa eleitoral de 2026. Ao deixar o governo estadual, o ex-governador busca ampliar sua visibilidade nacional e consolidar seu nome como alternativa no campo da direita.
