O avanço das apostas online no Brasil tem provocado consequências que vão além do endividamento e das perdas financeiras. Um estudo do Instituto de Estudos para Políticas de Saúde (IEPS) estima que os danos à saúde associados às apostas e aos jogos de azar representam um impacto financeiro de R$ 30,6 bilhões por ano para o Sistema Único de Saúde (SUS).
Segundo informações da Agência Brasil, o levantamento considera despesas relacionadas ao tratamento de problemas como depressão e ansiedade, além dos impactos associados às mortes por suicídio.
Apesar dos custos estimados, apenas 1% do valor arrecadado pelas operadoras de apostas é destinado ao Ministério da Saúde para ações voltadas à redução desses danos.
Procura por atendimento no SUS cresce 140%
A demanda por assistência relacionada à dependência em apostas online e jogos de azar também apresentou crescimento expressivo. Nos últimos cinco anos, a procura por atendimento no SUS por esses motivos aumentou 140%.
De acordo com Marcelo Kimati, diretor de Saúde Mental do Ministério da Saúde, o avanço foi observado em toda a Rede de Atenção Psicossocial.
Diante desse cenário, o Ministério da Saúde lançou um serviço de teleatendimento direcionado a pessoas que enfrentam problemas relacionados aos jogos e às apostas.
Teleatendimento amplia capacidade para até 100 mil consultas mensais
A iniciativa busca facilitar o acesso ao atendimento especializado, oferecendo uma alternativa eletrônica para pessoas que precisam de apoio.
Segundo Kimati, desde fevereiro de 2026, quando foi criada uma porta de entrada digital para esse tipo de assistência, cerca de 20 mil pessoas se cadastraram após realizar um teste de identificação de possíveis problemas relacionados às apostas.
Diante da procura, a capacidade do serviço foi ampliada recentemente de 600 para até 100 mil teleatendimentos mensais, em parceria com a Agência Brasileira de Apoio à Gestão do SUS (AgSUS).
A ampliação busca atender à crescente demanda por suporte em saúde mental relacionada aos jogos e às apostas.
Mais de 5 milhões de CPFs bloqueados em sites de apostas
Outro indicador da dimensão do problema é a plataforma de autoexclusão lançada pelo Ministério da Fazenda.
Conforme os dados apresentados pelo diretor de Saúde Mental, mais de 5 milhões de CPFs foram bloqueados em sites de apostas online autorizados a operar pelo governo federal.
A medida também alcança pessoas atendidas pelo Bolsa Família e pelo Benefício de Prestação Continuada (BPC), além de usuários vinculados a programas de renegociação de dívidas.
Mais de 1 milhão de usuários solicitaram voluntariamente a autoexclusão das plataformas. Entre essas pessoas, quase metade apontou problemas de saúde mental relacionados às apostas como motivo para a decisão.
Saúde mental e apostas: um desafio para a saúde pública
Os dados reforçam a dimensão dos desafios enfrentados pelo sistema público de saúde diante do crescimento das apostas online.
O impacto financeiro estimado pelo IEPS, o aumento da procura por atendimento psicológico e psiquiátrico e os números da plataforma de autoexclusão apontam para a necessidade de ampliar as ações de prevenção, acolhimento e tratamento.
A expansão do teleatendimento representa uma das iniciativas adotadas pelo Ministério da Saúde para facilitar o acesso à assistência e atender pessoas que enfrentam dificuldades relacionadas aos jogos e às apostas.
Fonte: Agência Brasil, com informações do Instituto de Estudos para Políticas de Saúde (IEPS) e do Ministério da Saúde.
