Dívida dos clubes brasileiros chega a R$ 19,99 bilhões; veja a situação

FUTEBOL NACIONAL

Levantamento financeiro aponta pendências em salários, transferências e impostos em 25 dos 40 clubes das duas principais divisões do futebol nacional. Bahia não declarou atrasos, enquanto o Vitória aparece com débitos nas três categorias analisadas.

O futebol brasileiro enfrenta um cenário de endividamento expressivo. Dos 40 clubes que disputam as Séries A e B do Campeonato Brasileiro de 2026, 25 declararam possuir pelo menos uma obrigação financeira em atraso, segundo dados do Painel de Solvência da Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (ANRESF).

O levantamento considera a situação das equipes em 30 de junho de 2026 e aponta que a dívida total dos clubes das duas divisões chegou a R$ 19,99 bilhões, com base nos balanços financeiros encerrados em dezembro de 2025.

As informações foram declaradas pelos próprios clubes no ciclo de julho de 2026 e abrangem três categorias de obrigações: salários de atletas e funcionários, pagamentos relacionados às transferências de jogadores e tributos devidos ao poder público.

Entre os 20 participantes da Série A, 13 informaram pelo menos uma pendência financeira. Na Série B, foram 12 clubes com atrasos declarados, totalizando 25 equipes nas duas divisões.

Bahia não declara atrasos; Vitória aparece entre os clubes com pendências

Entre os representantes baianos na elite nacional, Bahia e Vitória apresentam situações distintas no levantamento.

O Bahia não declarou atrasos em nenhuma das três categorias analisadas: salários, transferências de jogadores e impostos. O clube aparece entre as equipes sem pendências financeiras vencidas informadas no painel.

Já o Vitória declarou atrasos nas três categorias, incluindo obrigações salariais, pagamentos relacionados a transferências e tributos.

O cenário evidencia a diferença entre os dados declarados pelos dois clubes no levantamento. A ausência de atrasos registrados, entretanto, não significa necessariamente que uma equipe não possua dívidas, já que o endividamento total considera um conjunto mais amplo de obrigações financeiras.

Atlético-MG, Corinthians e outros clubes acumulam pendências

Na Série A, Atlético-MG, Corinthians, Fluminense, Grêmio, Internacional e Vitória declararam atrasos nas três categorias monitoradas pela ANRESF.

O Botafogo também apresenta pendências salariais e tributárias, enquanto as obrigações relacionadas a transferências estão incluídas em um plano de pagamento. O clube carioca aparece ainda em recuperação judicial e com plano de credores.

O Santos declarou atrasos em salários e impostos, além de pagamentos de transferências incluídos em plano de credores. O Athletico-PR informou pendências relacionadas exclusivamente a transferências de jogadores.

São Paulo e Remo também aparecem no levantamento. O clube paulista declarou atrasos salariais e em transferências, mas não informou pendências tributárias. O Remo, por sua vez, registrou atrasos apenas no pagamento de impostos.

Coritiba e Vasco declararam dívidas tributárias em atraso, enquanto obrigações salariais e relacionadas a transferências estão incluídas em planos de pagamento. O Cruzeiro também possui planos para as duas primeiras categorias, sem declarar atrasos tributários.

Além do Bahia, Chapecoense, Flamengo, Mirassol, Palmeiras e Red Bull Bragantino não declararam atrasos nas três categorias analisadas.

Série B tem 12 clubes com dívidas em atraso

Na segunda divisão, 12 dos 20 participantes declararam pelo menos uma obrigação financeira vencida.

América-MG, Avaí, Ceará, Cuiabá, Náutico, Ponte Preta, Sport e Vila Nova aparecem entre os clubes com atrasos nas três categorias: salários, transferências e impostos.

O Atlético-GO declarou pendências salariais e tributárias, enquanto o Fortaleza informou atrasos em salários e transferências, sem pendências tributárias declaradas.

O Criciúma registrou atraso salarial, mas não declarou débitos vencidos nas outras duas categorias. Já o Goiás informou atraso no pagamento de impostos, sem pendências declaradas em salários e transferências.

Os demais participantes da Série B — Athletic Club, Botafogo-SP, CRB, Juventude, Londrina, Novorizontino, Operário e São Bernardo — não declararam atrasos nas três categorias monitoradas.

Dez clubes da Série A têm recuperação judicial ou planos de credores

Outro indicador do Painel de Solvência é a utilização de mecanismos de reorganização financeira para lidar com dívidas.

Considerando as Séries A e B, 16 clubes estão em recuperação judicial ou possuem planos de pagamento de credores. Desse total, sete apresentam simultaneamente as duas condições.

Na primeira divisão, Atlético-MG, Corinthians, Grêmio, Internacional, Santos e Vitória aparecem com planos de credores. Botafogo, Coritiba, Cruzeiro e Vasco constam com recuperação judicial e planos de pagamento.

Na Série B, América-MG, Avaí, Ceará, Náutico, Ponte Preta e Sport possuem planos de credores. Avaí, Náutico e Sport também aparecem em recuperação judicial.

É importante diferenciar as situações: a existência de um plano de pagamento não significa, necessariamente, que todos os débitos incluídos no acordo estejam vencidos. Os clubes podem ter obrigações renegociadas e submetidas a um cronograma específico de quitação.

Dívida total do futebol brasileiro chega a quase R$ 20 bilhões

O valor de R$ 19,99 bilhões representa o endividamento total informado pelas 40 equipes das duas principais divisões, com base nos balanços encerrados em 31 de dezembro de 2025.

Esse montante não deve ser confundido com o total de dívidas em atraso identificadas em junho de 2026. Enquanto o endividamento total reúne obrigações financeiras registradas nos balanços, os atrasos correspondem a compromissos que os clubes declararam não ter quitado nos prazos previstos.

O painel reúne informações sobre salários, transferências, tributos e mecanismos de renegociação, permitindo acompanhar diferentes aspectos da situação financeira das equipes.

Os dados reforçam a dimensão dos desafios econômicos enfrentados por parte dos clubes brasileiros, em um cenário no qual a capacidade de honrar compromissos e administrar dívidas se tornou um indicador relevante para a sustentabilidade financeira do futebol nacional.

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