Lula chama Trump de “imperador” e ameaça aplicar Lei da Reciprocidade se não houver acordo sobre tarifas

BRASIL

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a criticar o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a quem chamou de “imperador”, e afirmou que o Brasil poderá aplicar a Lei da Reciprocidade caso não haja avanços nas negociações sobre as tarifas impostas por Washington aos produtos brasileiros.

Em entrevista concedida nesta segunda-feira (21) ao programa da jornalista Christiane Amanpour, da CNN, em Nova York, Lula defendeu o respeito à soberania nacional e afirmou que o governo americano precisa priorizar o diálogo nas relações internacionais.

“Ele tem o direito de governar os Estados Unidos, mas não direito de governar outros países”, declarou o presidente brasileiro. Lula também ressaltou que espera ser tratado com respeito nas negociações comerciais e diplomáticas.

Lula mantém pressão sobre tarifas americanas

Ao abordar as sobretaxas aplicadas pelos Estados Unidos, Lula afirmou que o Brasil continuará buscando uma solução negociada, mas não descartou medidas de resposta caso as conversas não resultem em um acordo.

“Enquanto estamos na mesa de negociação, eu não tenho que aplicar a Lei de Reciprocidade, tenho que ser mais paciente, mas é importante para você saber que, se não tiver um acordo, teremos que aplicá-la”, afirmou.

O presidente também declarou que o Brasil pretende ampliar suas relações comerciais com outros países, em vez de se concentrar exclusivamente nas consequências das medidas americanas.

As tarifas adicionais impostas pelos Estados Unidos voltaram a atingir produtos brasileiros em julho. Segundo o texto, as medidas incluem uma sobretaxa de 25% relacionada a uma investigação sobre práticas comerciais brasileiras e outra de 12,5% associada à ausência de uma proibição considerada efetiva por Washington à importação de produtos fabricados com trabalho forçado.

Com isso, determinados produtos brasileiros passaram a estar sujeitos a tarifas adicionais que somam 37,5%.

Lula contestou os argumentos utilizados pelo governo americano para justificar as medidas e afirmou que os Estados Unidos mantêm déficit comercial com o Brasil.

Presidente critica atuação dos EUA na Venezuela

Durante a entrevista, Lula também comentou a situação da Venezuela e criticou a atuação do governo americano no país sul-americano.

O presidente brasileiro afirmou que as ações dos Estados Unidos representam uma ameaça à soberania venezuelana e podem trazer consequências negativas para a democracia e para as relações entre os dois países.

“É grave o que os EUA fizeram à Venezuela. A soberania do país acabou. Isso não é bom para os dois países nem para a democracia”, declarou.

A entrevista também abordou a situação da liderança interina venezuelana, Delcy Rodríguez, que, conforme o relato apresentado, estava em Nova York e tinha uma conversa informal prevista com Trump para terça-feira (22).

Lula defende multilateralismo e cooperação internacional

Outro tema discutido foi o P4M, iniciativa lançada por Brasil, União Europeia, Canadá e Quênia para fortalecer alianças internacionais em defesa do multilateralismo.

Lula afirmou que a cooperação entre os países é fundamental para preservar a estabilidade internacional e evitar desequilíbrios nas relações comerciais.

“O comércio tem de ser balanceado para não haver grandes distorções e um país ser mais favorecido do que outros”, disse.

O presidente também criticou o que considera uma tendência ao individualismo na condução da política externa americana e defendeu a atuação conjunta das nações em questões econômicas e diplomáticas.

Eleições brasileiras também entram na entrevista

Às vésperas de sua participação na Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Lula também abordou o cenário político brasileiro e a disputa eleitoral.

O presidente afirmou estar confiante na vitória, apesar de reconhecer preocupação com o cenário político. Na entrevista, destacou programas sociais e apresentou a eleição como uma disputa envolvendo diferentes projetos para o país.

“Ninguém fez mais do que nós em políticas sociais”, declarou.

Lula também mencionou temas como democracia, preservação ambiental, combate à pobreza e valorização da cultura, que devem integrar o debate político nacional.

Agenda em Nova York

Ainda nesta segunda-feira (21), Lula recebeu o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, que o chamou de inspiração, e se reuniu com o presidente do Uruguai, Yamandú Orsi, aliado do governo brasileiro.

A entrevista ocorreu durante a agenda do presidente nos Estados Unidos para participar da Assembleia-Geral da ONU, em um momento de discussões sobre comércio internacional, soberania nacional e cooperação entre países.

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