Cremeb abre sindicância para investigar suspeita de erros médicos após pacientes perderem visão em clínica de Salvador

JUSTIÇA SAÚDE

O Conselho Regional de Medicina da Bahia (Cremeb) instaurou uma sindicância para apurar possíveis erros médicos na clínica oftalmológica Clivan, localizada em Salvador. A unidade foi interditada no início de março após denúncias de pacientes que relataram perda de visão e dores intensas após procedimentos cirúrgicos.

A investigação ocorre sob sigilo e, até o momento, ainda aguarda o recebimento formal de queixas por parte dos pacientes. Mesmo assim, o conselho iniciou o processo “ex officio”, ou seja, por iniciativa própria, após reportagens da imprensa apontarem a gravidade da situação.

Entre os principais pontos apurados pelo Cremeb estão possíveis falhas no armazenamento e na higienização de equipamentos cirúrgicos, o que poderia ter provocado infecções e, consequentemente, a cegueira em pacientes submetidos a cirurgias de catarata.

O conselho já realizou uma vistoria inicial na unidade, mas detalhes adicionais não foram divulgados para não comprometer o andamento das investigações. O caso deverá ser analisado por um grupo de 11 conselheiros, que irão deliberar sobre eventuais punições após a apresentação da defesa dos profissionais envolvidos.

Caso irregularidades sejam confirmadas, os médicos podem sofrer sanções que vão desde advertência até a cassação do exercício profissional.

O caso

A clínica Clivan, situada na Avenida Anita Garibaldi, foi interditada pela Secretaria Municipal de Saúde de Salvador (SMS) após ao menos 30 pacientes denunciarem complicações graves após cirurgias de catarata realizadas na unidade.

Segundo os relatos, os pacientes apresentaram sintomas como dor intensa e perda de visão logo após os procedimentos. Inicialmente atendidos pela própria clínica, muitos foram posteriormente encaminhados para o Hospital Santa Luzia, no bairro de Nazaré.

A unidade possuía convênio com o poder público e também realizava atendimentos pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Familiares afirmam que, em pelo menos quatro casos, houve perda total do olho após diagnóstico de infecção bacteriana no Hospital Geral do Estado (HGE). Assim como os demais pacientes, essas pessoas também passaram por cirurgias na clínica antes de apresentarem agravamento do quadro clínico.

Ainda de acordo com os pacientes, a clínica não forneceu esclarecimentos detalhados sobre as possíveis causas das complicações ou sobre as medidas adotadas para investigar os casos.

Em nota oficial divulgada anteriormente, a Clivan afirmou que seguiu rigorosamente todos os protocolos clínicos, técnicos e de biossegurança durante os procedimentos realizados.

A clínica destacou ainda que realiza mais de 8 mil cirurgias por ano e possui histórico consolidado de segurança e qualidade, classificando o episódio como pontual.

“Reiteramos nosso compromisso com a saúde, o bem-estar e a transparência no atendimento aos pacientes”, afirmou a instituição em trecho da nota.

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